Soja faz bem ou mal?

Já desde há muito tempo que os benefícios do consumo da soja não são consensuais, sobretudo para as mulheres. Mas a verdade é que esta leguminosa pode ser uma mais-valia para a saúde feminina, sobretudo durante o período da menopausa.

 

Rica em nutrientes e fonte de vitaminas do complexo B, potássio, magnésio, ferro, zinco, fibra e ácidos gordos polinsaturados, a soja pertence à família das leguminosas, tal como o feijão, grão ou lentilhas. Além disso, contém proteína completa [ou de alto valor biológico], isto é, com todos os nove aminoácidos essenciais em proporções e digestibilidade adequadas (os que temos de obter através da alimentação porque o nosso corpo não é capaz de produzir). Este vegetal é, por isso, muitas vezes incluído no prato como uma alternativa à carne, ao peixe, aos lacticínios ou ovos sendo muito consumido por vegetarianos e vegans.


Contudo, contêm outro nutriente, as isoflavonas, que têm algumas semelhanças com os estrogénios (hormona sexual feminina), o que levantou preocupações relativas à segurança em mulheres na pós-menopausa, especialmente devido aos potenciais efeitos adversos na mama, útero e tiroide. No entanto, a Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) concluiu que, para mulheres na pós-menopausa, as isoflavonas de soja não afetam negativamente a mama, o útero e a tiroide, e foi reconhecido que a soja pode inclusive ser benéfica para mulheres na pós-menopausa.

 

Conheça os benefícios associados ao consumo de soja:

  • Amiga do coração, dos ossos, do intestino e do cérebro

Associada a níveis de colesterol mais saudável, incluir a soja na sua alimentação pode ajudá-lo a proteger-se de doenças cardíacas. Segundo alguns estudos é indicado que a soja, quando ingerida regularmente, contribui para uma diminuição significativa dos níveis de colesterol total, triglicéridos e colesterol LDL (ou “mau” colesterol, que leva a gordura a acumular-se nas artérias). Por outro lado, ajuda a aumentar os níveis de colesterol bom (HDL) e a reduzir ligeiramente a pressão arterial.
Além disso, pelo seu teor de cálcio, torna os nossos ossos mais saudáveis e alguns estudos clínicos revelaram também que as suas isoflavonas têm um efeito positivo na renovação e densidade óssea em mulheres na pós-menopausa.
Foi ainda demonstrado que a soja pode ser benéfica para a nossa microbiota, aumentando a quantidade de bactérias boas presentes no nosso intestino, bem como pode melhorar a função cognitiva em adultos.

  • Na menopausa, pode ajudar

Para lidar com alguns sintomas que “atormentam” as mulheres na menopausa, como os afrontamentos, muitas recorrem à terapia de reposição hormonal. Apesar de muito eficaz, a longo prazo o seu uso pode estar associado a um aumento do risco de algumas doenças, como é o caso do cancro da mama. Neste sentido, a soja poderá ser utilizada como uma alternativa mais natural para diminuir os afrontamentos e para melhorar a saúde arterial em mulheres na menopausa.

  • Relação entre as isoflavonas da soja e o cancro

Pela sua ação semelhante à do estrogénio (embora fraca), em tempos receou-se que o consumo das isoflavonas da soja (nutriente presente neste alimento) poderia aumentar o risco de cancros hormonodependentes, como é o caso do da mama, dos ovários e do endométrio, nas mulheres, e o da próstata, nos homens.
No entanto, vários estudos têm demonstrado que as isoflavonas têm, pelo contrário, parecem ter um efeito protetor.


Sabia que existem vários tipos de soja?

Os alimentos da soja podem ser classificados entre fermentados - o que significa que foram cultivados, por exemplo, com bactérias benéficas ou leveduras, como o miso, tempeh ou molho de soja, melhorando a sua digestibilidade e absorção pelo organismo - e não fermentados, por exemplo, leite de soja e tofu. Se gosta de soja, o seu consumo será sempre mais saudável quanto menos processada esta leguminosa for. Por isso, opte por versões como tofu, tempeh, bebida de soja e edamame.